Museu-Ponte da Academia
Concurso Internacional, 2006


    Os objectivos da proposta do novo Museu-Ponte da Academia, partem do reconhecimento de uma estrutura urbana muito consolidada com significado patrimonial e paisagístico muito intenso, e consistem por um lado na criação arquitectónica da “porta” de entrada no Grande Canal em “S” invertido que serpenteia Veneza, e por outro lado na revitalização do percurso Sudeste/Noroeste que estabelece ligação entre zona de Dorsoduro com a parte interior da cidade, desde a parte central do bairro de São Marcos, passando por diversas ruas e praças, para terminar na Ponte de “Rialto” e na grande praça de San Giacomo. Constitui ainda objectivo adicional garantir a integridade do jardim do Palácio Cavalli Franchetti no âmbito de um programa de conservação da generalidade das espécies vegetais existentes na área de intervenção tendo em consideração a sua importância para a requalificação ambiental de Veneza, face à escassez de espaços verdes.
O conceito desenvolvido baseia-se no princípio de edifício-porta como ponte-disciplinar. Tomando como ponto da partida a especificidade de um museu-ponte, elemento de fusão entre a função da travessia pedonal lúdica e a função de museu de arquitectura, reveste-se de particular relevância explorar a criação de um signo arquitectónico onde se reconhece o seu carácter tipológico excepcional – um elemento singular como parte de uma infra-estrutura territorial e cultural onde se estabelecem ligações recíprocas. Muito mais importante do que o significado formal específico do edifício-ponte em si, interessa sobretudo desenvolver uma solução que recria não só a ligação física, concreta, mas que também possibilite estabelecer ligações espirituais entre o passado e o futuro, gerar “pontes” do conhecimento arquitectónico, dos valores a preservar e a testemunhar.
A face inferior da grande lage em betão branco com 71x10,5 m é uma superfície espelho do interior do edifício, um registo das memórias do seu arquivo, na qual surgem gravados em baixo relevo os nomes das obras mais significativas de Veneza, as datas e os seus autores que, se podem ler desde aa escadas da ponte. O texto gravado na betonagem da obra ou a gravar no futuro, orienta-se segundo o curso das águas do Grande Canal, em sentido ascendeste e descendente, como que fixando memórias através dos fluxos transitórios e cíclicos. Os sons ambientes são captados e ampliados a partir da caixa-de-ressonância determinada pela grande lage que cobre a ponte, este espaço converte-se num lugar das sonoridades dos homens e das mulheres que o percorrem e do movimento das águas do Grande Canal em contacto com os muros dos edifícios e plataformas das margens por onde se chega e se parte de Veneza.

 

francisco portugal e gomes, arquitecto

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Casa Fonte da Giesta, S. João da Pesqueira, 2010/

Casa de Cortiça, Bairro do Amial, Porto, 2009/

Biblioteca Pública de Estocolmo, Concurso de Arquitectura, 2006

Museu Ponte da Academia, Veneza, Concurso Internacional, 2006

Restaurante + Casa de Chá, Porto, 2004/2009

Casa no Lugar da Costa, Lousada, 2004/2005

Emp. Turístico Qta. Vale Covo, Pessegueiro do Vouga, Concurso de Ideias, 2004

Casa em Sever do Vouga, Concurso Limitado, 2003

Clínica de Ginecologia e Obstetrícia, Vila Nova de Gaia, 2002/05

Pavilhão de Refúgio, Quinta em Santiago, Penafiel, 2002/05

Casa H, Penafiel, 2002/03

Edifícios de Exploração, Águas do Douro e Paiva, Lever, Concurso Ltdo., 1999

Recuperação da Casa da Quinta de Senhora da Guia, Penafiel, 1996/05

Casa Milhundos, Penafiel, 1996/02

Conjunto Habitacional do Outeiro I, - P.E.R., Maia, 1996/99
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